Diário Teatral da Coluna – Semana 23 – 03/04/2023 a 09/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 23 – 03/04/2023 a 09/04/2023 Seguindo a toada frenética dos ensaios, mantivemos o ritmointenso de encenação atrelada a escrita das cenas, em diálogo criativoconstante com todas as pessoas envolvidas. As demais áreas criativas tambémestão trabalhando intensamente, já com o horizonte e o teatro da estreiaapontados: Teatro Arthur Azevedo, dia 02/06/2023, sexta-feira! Intensamente, toda a encenação vai surgindo e se encaixando.Cabe um destaque aqui para o desenvolvimento das canções da peça, que segue atodo vapor! Temos até aqui 7 canções já criadas, em níveis diferentes dedesenvolvimento: “Cabaré esperança”; “Pão da vida” “Guerrilheiras vivandeiras”;“De que lado você está?”; “Aí seu mé”; “Canto de revolução”; “Enterro de umsoldado” e “Prece triste”. Nessa toada, ensaiamos as seguintes cenas, partindo dedramaturgias já consolidadas (mas em franco processo de desenvolvimentocriativo, como todos os elementos da encenação): ·        Despedida Firmino e Ângelo ·        A Enfermeira e o Comandante ·        No campo de batalha inimigo ·        Prestes e a Revolução ·        Despedida de Prestes e Ângelo ·        Parto de Santa Rosa ·        1ª Aula de Alfabetização ·        2º Encontro Ângelo e Garcia ·        Mate Laranjeira ·        No campo de batalha inimigo O Coro Cênico começou seus encontros agora oficialmente comoCoro da Coluna, contando com a presença das 12 pessoas selecionadas paraintegrarem a encenação. Cantamos as músicas, ensaiamos a cena de coro “Prestese o Estado Maior da Revolução” e passamos todas as rotinas de travessia queestamos desenvolvendo, entradas de teatro-dança que poetizam momentos cruciais dasaga da Coluna Prestes. Para essa criação, contamos com a ajuda da coreografa emestra de danças populares, a Leca. Um presente essa presença em sala de ensaiopara afinar nossas intervenções poético-dançantes, nesse coro-travessia quecortará a peça entre as cenas dos núcleos. Todas as frentes de criação estão se encaixando edesenvolvendo, seguindo seu rumo até a estreia da peça. Vamos com tudo!

Diário Teatral da Coluna – Semana 22 – 27/03/2023 a 02/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 22 – 27/03/2023 a 02/04/2023 Partindo dos materiais levantados em sala de ensaio, tendocomo horizonte criativo as personagens encontradas para conduzir a jornada daColuna Prestes, a escrita da dramaturgia e o desenvolvimento da encenaçãocomeçaram a dar saltos imensos. O ritmo de cenas no papel aumentouvertiginosamente, numa relação recíproca entre escrita e encenação, com a peçabrotando, enfim. Daqui até a estreia, que precisa acontecer em dois meses e umasemana, o trabalho andará nessa toada frenética. Dessa forma, nessa semana, ensaiamos as seguintes cenas, jácom a primeira versão da dramaturgia no papel (sendo revisada e modificada deacordo com o que a sala de ensaio aponta): ·        1ª Aula de Alfabetização ·        Firmino baleado e o comandante Prestes ·        Cabaré Esperança ·        Julgamento do negro preso injustamente ·        No campo de batalha entre mortos e feridos ·        O Poema de Ângelo Essa também foi a semana em que finalizamos a Oficina deCoro Cênico, que foi um espaço intenso, pedagógico, lindo e feliz. A disposiçãodas pessoas que integraram o curso foi infinita, possibilitando um espaço detroca e descoberta de linguagem teatral em torno dessa função antiga do CoroCênico. Fizemos um encerramento muito bonito, distribuímos os certificados,compartilhamos relatos do que foram esses dois meses de experiência, nosemocionamos. Sou eternamente grato pelo que construímos nesse Curso Livre deCoro Cênico, de coração. São raros os momentos de generosidade e trocaartística intensa como o que conseguimos construir nesse espaço. Agora temosessa tarefa inglória de selecionar 12 pessoas para seguirem conosco naencenação da peça da “Coluna Prestes”, agora como Coro da Coluna, recebendo umabolsa-cachê pelos próximos 5 meses de trabalho. Foi uma das coisas maisdifíceis de serem feitas até aqui, essa escolha. Queríamos abarcar todas etodos que seguiram conosco até o fim da jornada do Curso, mas, por motivos decontingenciamento de verba, não foi possível. De qualquer forma, meu muitoobrigado por essa caminhada. De coração. Avante Coluna!  

Diário Teatral da Coluna – Semana 21 – 20/03/2023 a 26/03/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 21 – 20/03/2023 a 26/03/2023 Agora que a encenação parece ter achado, enfim, seu eixo, a criação de material tem acelerado bruscamente. As personagens eleitas para a jornada ganham consistência a cada dia de ensaio, camadas de complexidade e profundidade nas suas relações são desveladas, revelando as contradições e contextos enfrentados pela Coluna Prestes nas cenas. A coisa está toda turbulenta, porque temos de fazer tudo ao mesmo tempo: improvisar e debater as cenas, converte-las em dramaturgia, sonhar e erguer a encenação, tudo junto e urgente. Com dois meses e duas semanas para a estreia, os passos do trabalho se intensificam radicalmente. Seguindo a trilha das cenas que estruturam a peça, realizamos as seguintes jornadas criativas: ·         Sobre mapas e maxixes. Depois de um potreada, Onça discute com Garcia: ambos fizeram um mapa indicando os próximos passos da Coluna Prestes. Apesar do mapa da Onça ser evidentemente melhor, Garcia se recusa a aceitar, por conta do seu machismo. Prestes chega para mediar a situação e avaliar os mapas. Enquanto avalia, Ângelo e Garcia perguntam para Onça sobre seu passado como dançarina de maxixe. Onça ensina os dois a dançarem maxixe, um com o outro, intensificando a relação dos soldados. Prestes retorna, adotando o mapa de Onça como estratégia para os próximos passos. ·         No campo de batalha entre moribundos e feridos. Firmino recolhe armas e os nomes dos mortos, Enfermeira Hermínia cuida dos vivos, fazendo curativos e convocando os padioleiros. Enquanto fazem seu trabalho, Hermínia resolve socorrer um soldado inimigo, o que gera uma grande desavença com Firmino. ·         Julgamento do preso condenado injustamente. Em uma cena de expediente épico, três possibilidades de futuro são mostradas para o público, a partir da libertação de um preso negro pelos revolucionários da Coluna Prestes, condenado injustamente por um juiz bêbado. Cada um dos futuros expressa uma das faces do sistema carcerário do Brasil, de ontem e hoje, e as possibilidades de retorno ao convívio social dos egressos desse sistema massacrante. No último caminho, o recém-liberto junta-se a Marcha da Coluna. ·         Enfermeira Hermínia descansa depois de muito trabalho com os feridos. Recebe a visita do Comandante Prestes. O inquere sobre a falta de ferimentos do comandante. Prestes demonstra que é um líder que marcha junto de seus soldados, terminando por convencer Hermínia dos ideias da Coluna. ·         Em torno de uma fogueira, Prestes recebe o Sargento Garcia e Santa Rosa, que se tornou uma exímia combatente. Está maravilhado com a empresa Mate Laranjeira, que o acolheu na sua sede com pompa, declarando seu apoio a revolução. Garcia e Rosa, por sua vez, visitaram os pequenos ranchos arrendados onde moram as famílias que trabalham para Mate Laranjeira, em regime de servidão, açoitados por capatazes. O encontro transforma Prestes, que resolve requisitar uma quantia astronômica da empresa Mate Laranjeira. A cena joga epicamente com cada situação, com as personagens se transformando nas figuras, reproduzindo cada encontro. ·         A traição do Padre Aristides e o massacre de Piancó. Um padre-coronel faz uma proposta de armistício para os soldados da Coluna, que estão divididos se acreditam ou não. Firmino e Rosa estão desconfiados, não querem aceitar o acordo. Já Garcia, com apoio de Ângelo, acredita que devem seguir em frente, confiar, afinal, é um Padre. Essa posição ganha o debate, com Garcia indo a frente, portando uma bandeira branca. Era uma emboscada, Garcia termina baleado. Isso dispara um sentimento de revolta e ódio nos integrantes da Coluna Prestes, que avançam para Piancó, cometendo toda sorte de barbaridades. Vemos a esperança fraquejar diante do horror. Por fim, Garcia morre nos braços de Ângelo, no único beijo que os dois amantes nunca admitidos conseguem partilhar. ·         A primeira aula de alfabetização de Ângelo, ministrada pelo Sargento Garcia. Ângelo não quer saber de ler e escrever, quer saber de aprender a atirar. Termina convencido pela poesia, no momento em que Garcia lê um trecho de Romeu e Julieta para seu rebelde aprendiz. Uma relação surge entre os dois, junto do desejo de alfabetização que começa a surgir em Ângelo. ·         O parto de Santa Rosa. Em meio a uma situação de combate, Rosa entra em processo de parto, assistida pela Enfermeira Hermínia, enquanto Firmino faz a guarda da situação. A situação dramática é rompida por um momento épico de narrativa, em que as personagens, diante da esperança de uma vida que surge, narram seus sonhos e vislumbres de futuro. ·         Despedida de Hermínia e Rosa, depois de toda a marcha da Coluna. Rosa está disposta a seguir sonhando e construindo a revolução, vislumbra um caminho de lutas para seu filho; já Hermínia encontrou enfim a paz, vai ficar por lá mesmo, conseguiu um ranchinho para viver com Firmino. O destino de cada uma está selado. Firmino ainda aparece no fim, para presentear o filho de Rosa com seu fuzil, que nunca errou um tiro. Ele espera que o menino nunca precise utilizar. ·         Retomada da cena do motim dos soldados.   Na oficina de Coro Cênico, que está entrando em sua reta final, de onde sairão as 12 pessoas escolhidas para compor o Coro da Coluna na encenação, seguimos explorando as entradas desse universo na peça. Retomamos a cena da Travessia do Rio, utilizando uma rede como suporte para o teatro-dança; refinamos o Coro Portando Imagem do Horror da Guerra, incluindo uma paisagem sonora na movimentação; experimentamos uma nova dramaturgia para uma cena do Coro, em que Luiz Carlos Prestes decide seguir com a jornada da Coluna, rachando o Estado Maior da Revolução entre desistentes e convictos com a luta. A encenação começa a ganhar seu desenho, com uma listagem geral das cenas e entradas do coro organizadas em 4 movimentos: Chegança; Glória; Crise; Despedida. O espaço cênico, feito de elementos cinéticos, é uma representação poética do Brasil Profundo, cortado pelo acampamento da Marcha da Esperança. Os figurinos e adereços ganham primeiro plano, constituindo os lugares e situações com a intensidade das presenças numerosas das 26 pessoas em cena. Toda essa criação

Diário Teatral da Coluna – Semana 20 – 13/03/2023 a 19/03/2023

Com a trilha de encenação e dramaturgia apontada, seguimos a todo vapor, em um ritmo intenso para erguer a peça, agora com a bússola afinada. A encenação será organizada por duas frentes poéticas complementares: a relação entre as personagens e seus processos de transformação ao longo da marcha da Coluna Prestes; o Coro da Coluna e seus expedientes poéticos de teatro-dança e cenas de coro em contexto. Assim, de um lado, acompanharemos as personagens encontradas para conduzir essa narrativa, as trilhas da raia miúda da Coluna Prestes, das sujeitas e sujeitos que fizeram essa história mas, apesar disso, foram relegados a notas de rodapé e descrições breves nos documentos históricos. Cenas apoiadas em um realismo crítico, com interações em situação entre as personagens, com momentos de comentários épicos que ampliam os contextos dos encontros, explorando as relações sociais e vislumbres entre passado e futuro, tendo como motor dos encontros o desenvolvimento da Coluna Prestes em marcha. Do outro lado, teremos as entradas do Coro da Coluna, com cenas apoiadas em expedientes poéticos de teatro-dança e grandes coros em situação, que imprimem em contexto os momentos marcantes da grande marcha da Coluna Prestes, incorporando elementos das danças populares, com ritmos apanhados dos lugares por onde a marcha da esperança passou em sua gigantesca jornada. Sobre o eixo das personagens populares que conduziram a narrativa, exploramos as seguintes cenas, que serão incorporadas na peça: ·      Isabel Pisca-Pisca se maquia para mais uma apresentação no Cabaré Esperança, quando Onça, sua amiga e sócia do empreendimento, avisa: não tem cliente, a revolução agitou as coisas, não sobrou ninguém na cidade. As duas então resolver partir com a Coluna Prestes, em busca de um outro futuro. ·      Em uma vigia na trincheira, o Soldado Ângelo expressa seu desgaste com a marcha, seu medo constante da morte, com o Sargento Garcia, que é também seu professor de alfabetização. Garcia acolhe Ângelo, convencendo a permanecer na luta e a insistir no aprendizado das letras. Uma relação começa a surgir entre os dois. ·       Cabo Firmino, um aguerrido revolucionário, está convalescente, baleado. O Comandante Luiz Carlos Prestes se aproxima, quer conhecer melhor o soldado e descobrir se terá condições de seguir na marcha. Nesse encontro, os dois sonham com o futuro, rasgando os tempos históricos. ·      Tia Maria ensina a Enfermeira Hermínia a fazer um angu decente, enquanto anuncia sua partida da Coluna Prestes, se despede da marcha da esperança. Durante sua despedida, anuncia o amor de Hermínia pelo Cabo Firmino, vaticinando o futuro. ·     Depois de três dias de marcha, sem comer e sem dormir, o Cabo Firmino e o Soldado Ângelo se amotinam, não querem continuar, não tem como, para desespero do Sargento Garcia. A insubordinação faz tensionar a esperança. Garcia e Prestes recuperam a perspectiva dos sonhos nas tropas, seguindo com a marcha. ·     Santa Rosa está diante das roupas do seu falecido marido, de quem herdou o fuzil e gera um filho na barriga. Isabel Pisca-Pisca e Onça se aproximam da amiga, que está passando mal de novo por conta da gravidez. Debatem a possibilidade de aborto, com posições distintas. Rosa resolve manter a criança, apesar de todas as dificuldades impostas pela marcha revolucionária. Na Oficina de Coro Cênico, seguimos a investigação dos expedientes poéticos relacionados a marcha da Coluna Prestes. Exploramos as cenas da Travessia do Rio, das Potreadas e expedientes de Portar Imagem, incidindo sobre os disparadores Combate, Esperança e Horror da Guerra. Também nessa semana, o Coro da Coluna somou esforços com as companheiras e companheiros do MTST, que estavam acampados em frente a prefeitura com uma reivindicação de moradia. Cantamos as canções da peça no acampamento, em um momento de solidariedade e luta. O Coro da Coluna faz assim jus ao espírito da Coluna Prestes, levando com seu canto e presença um sonho de esperança e revolução. 

Diário Teatral da Coluna – Semana 19 – 06/03/2023 a 12/03/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 19 – 06/03/2023 a 12/03/2023 O caminho para a encenação da Coluna Prestes, enfim, parece despontar no horizonte criativo. A proposta de narrar essa história a contrapelo sedimentou-se em 8 personagens que acompanharemos na jornada da Marcha da Esperança. São sujeitas e sujeitos inspirados nas “figuras menores” da história hegemônica da Coluna Prestes, as vidas dos soldados de baixa patente, das mulheres chamadas de vivandeiras, dos pretos que recheavam as tropas, mas não estavam em nenhuma das posições de comando. Essas existências aparecem nos documentos históricos, mas sempre em breves lampejos, descrições sucintas, parágrafos, as vezes duas linhas, um nome – pequenas frestas que iluminam, mesmo que muito brevemente, o que eram essas figuras sociais, deixando uma trilha aberta para a criação poética que o teatro permite. Então a aposta é mesmo a radicalização nos núcleos dessas personagens. Contar a história de fato a contrapelo, partindo desse ponto de vista das existências quebradiças, apagadas, subalternizadas nos documentos históricos. É uma questão crucial de qualquer dramaturgia, especialmente na lida de um material histórico para criação teatral, a eleição do ponto de vista em que os acontecimentos se passam. Especialmente quando falamos das encruzilhadas da esperança ao longo de uma marcha revolucionária: de quem é a esperança? Estamos interessados na Tia Maria, uma preta velha que comanda um dos fogões da Coluna, que fazia benzimentos, rituais, garantindo a prática de uma religiosidade de matriz africana durante a Marcha. Na Onça, outra mulher negra, que dançava maxixe, com sua amiga, Isabel Pisca Pisca, que atravessam o Brasil até o exílio na Bolívia como integrantes da Coluna. Do Cabo Firmino, homem negro, vindo da Força Pública, que se apaixona pela Enfermeira Hermínia, imigrante austríaca que cuida dos feridos ao longo de toda a marcha. Do Sargento Garcia e do Soldado Ângelo, que acompanham Prestes desde o Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo, alfabetizados dentro das tropas na perspectiva do soldado cidadão, que carregam a bandeira do letramento, que te ensina a ler e transformar a palavra mundo. Luiz Carlos Prestes completa o grupo de personagens, mas não como protagonista da peça. A relação é invertida: é Luiz Carlos Prestes que aprende com cada uma dessas figuras, tornando-se o proto-comunista que vai se tornar no final dessa jornada a partir das vivências, situações e processos com cada uma das 8 figuras populares disparam nele. São as relações entre essas personagens, seus processos de transformação, que acompanharemos ao longo da marcha da Coluna. No entanto, o que pretendíamos enquanto proposta de texto teatral, esse investimento radical nessas figuras populares, colhidas no contrapelo das narrativas históricas da Coluna Prestes, não se realizou de maneira concreta na dramaturgia. Investimos muito trabalho escrevendo um texto teatral que não atendeu as expectativas que tínhamos, enquanto coletivo, com a encenação que estamos desenvolvendo. O peso do caráter histórico, literário, ainda se sobrepôs ao desenvolvimento das figuras que elegemos como portadores dessa narrativa. Não conseguimos abandonar, na encenação e na dramaturgia, um compromisso, que não pertence ao teatro definitivamente, de portar “a verdade” histórica no palco, nem o compromisso de dar uma aula de história sobre o que foi a Coluna Prestes. Também demonstrou que é possível mergulhar e retomar de maneira mais vertical o que já foi desenvolvido enquanto matéria teatral no cotidiano dos ensaios, usar de fato elementos, processos, situações, diálogos, que aconteceram no cotidiano trabalho de pesquisa do elenco. Um baque para o time de dramaturgia, com dezenas de páginas escritas que não contemplaram a caminhada do grupo. Muito trabalho que não será utilizado, como muitos dos materiais criativos que surgem no processo. Entramos com isso em um processo de crise criativa, mais uma, o que não significa uma coisa necessariamente ruim, embora tenha momentos dolorosos e difíceis. As crises são o que movem o processo artístico, revelam os limites e fazem surgir os caminhos para o desenvolvimento do trabalho. Ainda mais em processos de pesquisa teatral, em que a sedimentação do material criativo passa por caminhos tortuosos, que não cabem no planejamento rígido de uma tabela, necessariamente, porque envolvidos com criação, arte, poesia, sonho. Apesar dos prazos, os processos criativos têm suas alquimias particulares, suas decantações específicas, e se agora, com menos de 3 meses para a estreia, tivemos essa mudança de eixo radical no trabalho, o que fazer? Embarcar no processo, confiar no teatro e no trabalho das e dos artistas envolvidos, e erguer a encenação, realizando de maneira radical os caminhos apontados depois da tempestade da crise. Ainda nessa semana começamos essa nova trilha, com um mergulho intenso das personagens escolhidas para cada pessoa do elenco, enfim eleitas com decisão depois de trafegar por diferentes personagens históricas. Fizemos essa dinâmica que partiu de um texto-gênese e um atlas visual de cada uma das personagens eleitas, realizado por cada ator/atriz que vai interpretá-la, dando uma excelente amostra de como os temas da Coluna Prestes aparecem em cada um desses pontos de vista, sempre com um recorte consequente sobre os temas que nos interessam nisso tudo, os processos sociais pertinentes de serem ao longo da peça. Um adendo: caminhando ao lado da sala de ensaio, as oficinas de Coro Cênico seguem a todo vapor, sem nenhuma sombra de crise, com uma gente interessada, presente e disposta, tornando possível um laboratório excepcional sobre o que é a linguagem do coro, além de um espaço de experimentação de expedientes do universo da Coluna Prestes convertidos em linguagem teatral. Seguimos com nossa marcha da esperança, com coragem e disposição, na trilha que enfim parece despontar. A encenação da peça da Coluna Prestes parece agora possível, a escrita da dramaturgia parece ter encontrado seu farol, com a pavimentação de escolhas consequentes, que resgatam o contrapelo histórico e as encruzilhadas desse processo, partindo de um campo teatralmente potente.   Avante! Temos muito a fazer.

Diário Teatral da Coluna – Semana 18 – 27/02/2023 a 05/03/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 18 – 27/02/2023 a 05/03/2023 Nessa semana, o time de dramaturgia intensificou o trabalho de escrita da peça, enquanto o elenco intensificou o trabalho em torno das oficinas de danças populares. Estamos em um momento de turbulência, de caminhada para solidificação do que será, de fato, a encenação. As escolhas desse momento não são fáceis em processos criativos como este que estamos, coletivo e colaborativo, em que cada artista participante é também criador/criadora. O objetivo é que todo mundo que participa desse processo se reconheça na peça, partilhe e se identifique com o lugar de chegada da encenação. E isso não é nada simples de ser feito de fato. As danças populares seguem como uma aposta para a encenação, embora as entradas e composições a partir desse repertório tenham se transformado muito entre o que era o projeto original e o que a peça está se tornando de fato . Essa é outra constante de criações com esse tipo de dinâmica: os caminhos de concretização da encenação são diversos e ramificados, abrindo trilhas inimagináveis no projeto original. Esse pulsar vivo do trabalho teatral torna tudo fluído, instável, exigindo porosidade criativa constante, coisa não tão simples quando lidamos com uma política pública, como é o caso da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo que, por sua natureza de incentivo estatal, precisa de balizas e previsibilidade de realização, apontadas no projeto original. O que empilha demandas: além dos processos criativos, também nessa semana finalizamos o 1º Relatório do Fomento, o que exigiu um esforço imenso, concorrendo com os trabalhos criativos da sala de ensaio, de desenvolvimento da peça. Para fechar esse balaio, realizamos uma atividade intensa no final de semana, muito importante para nosso projeto, a finalização do Ciclo de Palestras, sempre desenvolvidos em torno de dois eixos: “Teatro e História: procedimentos criativos” e a “Coluna Prestes e o Brasil da década de 1920”. O evento contou com a realização de 4 mesas, no sábado e no domingo, com uma mesa de cada eixo por dia, sempre em parceria com a Biblioteca Mario de Andrade, que acolheu a iniciativa de maneira incrível.  No debate sobre Teatro e História, recebemos a Companhia Estudo de Cena, grupo de teatro parceiro da cidade de São Paulo, em uma conversa organizada sob o recorte “Encenar a história: um exercício sobre o presente”, e a dramaturga, performer, atriz e jornalista Mônica Santana, sob o recorte “Arquivo e Repertório: processo de criação do texto Uma Leitura dos Búzios”. As conversas, sempre potente, giraram em torno ter na história e na memória a temática central para um processo de criação. Já nas mesas sobre a Coluna Prestes, tivemos a alegre de receber figuras incríveis. No sábado, contamos com a presença da historiadora e pesquisadora Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário e Luís Carlos Prestes, sob o título “A Coluna Prestes: a história e suas falsificações”. Já no domingo, fechando o ciclo de palestras, recebemos o comunicador Jones Manoel, com o recorte de “Política em Armas: Coluna Prestes, violência e luta de classes na história brasileira”. Foram realizadas análises aprofundadas da marcha da esperança e seus desdobramentos, refletindo sobre as diferentes formas de contar o que foi a Coluna Prestes, constituindo um campo de disputa em torno desse tema, que exige uma tomada de posição diante das suas muitas apropriações.   Foram encontros instigantes, anunciando um conjunto de forças e continuidades históricas que estão aí, agora, explodindo no tempo presente. A Coluna Prestes relida a contrapelo, angulada como um esforço radical de esperança, um gesto de rebeldia, utopia e coragem, diante de forças imensas, truculentas, gananciosas e desiguais.  Avante! Seguimos com o trabalho criativo até a criação da peça.  

Política em armas: Coluna Prestes, violência e luta de classes na história brasileira.

05 de março de 2023, domingo, 17hBiblioteca Mário de Andrade Prof. Me. Jones Manoel da Silva Palestrante: Jones Manoel Jones Manoel é Influenciador e Youtuber, professor, jornalista e comunicador popular. Graduado e Licenciado em História pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e Mestre em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE. Colaborador dos sites Revista Opera, Blog da Boitempo, Jornal O Poder Popular, Lavrapalavra, site do PCB, Youtube (Jones Manoel), TV Brasil 247 e Revolushow (Podcast). “A Coluna Prestes é um dos maiores episódios da política brasileira em armas. Uma tentativa de refundar o regime político, questionando os fundamentos políticos, jurídicos e ético da chamada República Oligárquica. Contudo, a Coluna não foi um ato isolado na história brasileira, uma exceção à regra de uma democracia pacífica e sem violência. A Coluna faz parte de um longo contexto histórico onde a luta de classes assumiu uma clara dimensão armada e/ou militar. O objetivo da nossa comunicação é fazer uma reflexão geral sobre o papel da luta armada e do poder militar na luta de classes brasileira e qual o papel da Coluna Prestes nesse histórico.”

A Coluna Prestes: a história e suas falsificações

04 de março de 2023, sábado, 17hBiblioteca Mário de Andrade Profa. Dra. Anita Leocádia Prestes Palestrantes: Anita Leocádia Prestes Anita Prestes tem graduação e mestrado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (respec. 1964, 1966), doutorado em Economia Política pelo Instituto de Ciências Sociais de Moscou (1975) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (1989). Autora de diversos livros e artigos, com ênfase em História do Brasil República, sendo uma das principais biógrafas de seu pai, Luiz Carlos Prestes. Pesquisadora seminal da Coluna Prestes, aborda no decorrer de sua trajetória temas como comunismo e antifascismo. Destaca-se seu doutorado, depois publicado e ganhador do Prêmio Casa das Américas: “A coluna prestes” (1997). “Será apresentada a História da Coluna Prestes (out. 1924 – fev. 1927) com base na exaustiva pesquisa historiográfica realizada pela historiadora Anita Leocadia Prestes e consubstanciada em sua tese de doutorado publicada sob o título “A Coluna Prestes” (3ª ed., Ed. Paz e Terra, 1997). Será feita a crítica de algumas das falsificações mais comuns presentes nos textos existentes sobre a Coluna Prestes, fruto em grande medida do anticomunismo praticado pelos representantes dos interesses das classes dominantes do país.”

Roteiro da história: fatos e causos da Coluna Prestes

05 de fevereiro de 2023, domingo, 14hBiblioteca Mário de Andrade Prof. Dr. Marlei Rodrigues da Cunha Palestrantes: Marlei Rodrigues da Cunha Marlei da Cunha é Doutor em História no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. Possui graduação, licenciatura em História pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus de Santo Ângelo (2009). Mestre em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/RS (2012). Autor da tese que é também referência para este trabalho de pesquisa historicista em dramaturgia: “A Coluna Prestes: disputas em torno do passado e construção do patrimônio Cultural sul-rio-grandense” (AMILCAR, 2021). “Desde que Luiz Carlos Prestes me disse no dia 11 de abril de 1973 que a passagem dele pelos rincões do Brasil criou-se lendas a respeito. Então verifiquei que 2 caminhadas de revoltosos não eram os revoltosos comandados por Miguel Costa e Luiz Calos Prestes. Estudei 2 grupos que se diziam revoltos, um saído de Barretos e comandada por Carvalho que agiu no triângulo e outra que agiu no Mato Grosso denominada “Os Baianinhos”. Esses agiam fora dos padrões éticos. Trabalhamos para organizar o ROTEIRO DA HISTÓRIA num trecho do Centro brasileiro, demarcanto onde pousou a COLUNA PRESTES e rios que atravessaram, através de diversos livros e obras publicadas sobre a Coluna e sua passagem pelo estado de Goiás, recolhendo depoimentos, causos e narrativas. Uma visão regionalista baseada nesses relatos: “Histórias do chapadão do Sul”, “Aparecida do Taboado”, publicados em fascículos de jornais regionais em Costa Rica (Goiás) e uma das referências para o estudo de apagamento e extermínios históricos em “Pav Pira, o Bandeirante” (1989), que narra a história do Bandeirante Antônio Pires de Campos, que exterminou os índios Caiapós que habitavam a região de Goiás, também palco da Coluna Prestes.”

Militares e Maragatos em Armas: as revoltas tenentistas de 1924 e a formação da Coluna Prestes no Rio Grande do Sul

29 de janeiro de 2023, domingo, 14hBiblioteca Mário de Andrade Prof. Dr. Amílcar Guidolim Palestrante: Amílcar Guidolim Amílcar Guidolim é Doutor em História no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. Possui graduação, licenciatura em História pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus de Santo Ângelo (2009). Mestre em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/RS (2012). Autor da tese que é também referência para este trabalho de pesquisa historicista em dramaturgia: “A Coluna Prestes: disputas em torno do passado e construção do patrimônio Cultural sul-rio-grandense” (2021). Na palestra apresentará seu novo livro, que tem o título da mesa, em que discorre sobre as origens da Coluna a partir de Santo Ângelo e a descoberta da forma de combate, a “guerra de movimento”, ligando essa origem à tradição de luta regional.

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