Diário da Coluna

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Diário Teatral da Coluna – Semana 28 – 08/05/2023 a 14/05/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 28 – 08/05/2023 a 14/05/2023 Nessa semana, dentro da correria geral e insana do mês de estreia, tivemos os passadões com toda a equipe no palco, elenco, coro e banda. Pudemos enfim vislumbrar a peça em todo seu esplendor, as cenas de canto com todas as vozes acompanhadas pela banda são de um poder imenso, mas também foi possível perceber as fragilidades da encenação. A peça está muito longa, com reiterações desnecessárias, algumas cenas supérfluas. Está evidente que o esforço agora está na passagem geral da peça, necessidade de cortar, enxugar, condensar. Os debates sobre a poética geral da peça, a forma como as diferentes identidades e corpas não normativas que compõe o processo de criação estão se relacionando com a estrutura e dramaturgia da encenação, frutificou em cenas novas, fechando enfim o complexo narrativo teatral que estamos imersos. As crises sempre apontam caminhos de transformação, fazendo com que o trabalho caminhe, apesar da urgência que estamos com o prazo. A articulação da iluminação, da cenografia, do figurino, dos adereços, todos em processo intenso de desenvolvimento, são um universo a parte, que articulam criação com demandas de produção, atraso no recebimento da verba e por aí vai. A estreia da peça vai ser com emoção, com todos os elementos virando realidade em cima da hora. Mas vai dar certo! Vamos em frente, que o trabalho não pode parar.

Diário Teatral da Coluna – Semana 27 – 01/05/2023 a 07/05/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 27 – 01/05/2023 a 07/05/2023 Nesse mês de estreia, com a intensidade de ensaios e demandas de produção, as publicações desse diário de processo serão mais concisas, diretas. O esforço agora é levantar a peça, fazer com que a máquina da encenação caminhe do começo ao fim, afinando arestas, ajeitando cenas, aprofundando relações e personagens, gerando sentindo de conjunto. Tivemos enfim a grande junção do elenco com o coro, articulando uma passagem de todo o material, aos trancos e barrancos, para termos uma noção da totalidade da encenação, da potência (e das fragilidades) de onde estamos com nosso processo. Com elenco e coro no palco, temos uma encenação que conta com 20 pessoas, fora a banda, que chega na semana que vem. É uma coisa poderosa, essa presença numerosa, mas é também uma dificuldade manejar as demandas de composição cênica. Soma-se a isso as demandas do processo de criação da peça, que ainda está em transformação, debatendo as personagens, a relação entre as corpas não normativas que habitam o processo, a incidência desses debates no interior da poética da peça, a relação com as pautas dessas lutas com o que é a narrativa da Coluna Prestes, gerando transformações na estrutura da encenação, no mês de estreia. Processos coletivos passam por essas turbulências, e estamos agora agarrando o furacão na mão para que a peça chegue em um lugar que todas as pessoas envolvidas se identifiquem, se reconheçam no nosso canto de esperança e revolução. Avante! Até a estreia da peça.

Diário Teatral da Coluna – Semana 26 – 24/04/2023 a 30/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 26 – 24/04/2023 a 30/04/2023 Estamos diante da transformação final que todo o material da peça precisa passar para que cheguemos, enfim, no que será nossa encenação. É preciso refazer (novamente) a dramaturgia, para que as cenas ganhem uma ligação orgânica, para que seja possível vislumbrar um arco geral para toda a trajetória da peça, para além da fragmentação dos núcleos. É sobre essa jornada final e intensa de trabalho criativo que nos debruçamos nessa semana. Começamos por estruturar e levantar o prólogo da peça, a Gira das Encruzilhadas, cena poética afro-centrada que abre os caminhos da peça, montando as 9 trilhas das 9 personagens que acompanhamos nessa encruzilhada cênica da Coluna Prestes. A Majestade Encruzilhada que movimenta esse acontecimento está presente ao longo da trajetória, pontuando caminhos para as personagens, incluindo aí o Comandante Prestes. Também investimos nas cenas coletivas, condensando as cenas nucleares em situações ancoras que possibilitem o encontro das figuras, gerando continuações, linhas de desenvolvimento gerais que perseguimos ao longo da encenação. Um desses arcos narrativos envolveu as seguintes cenas: a Intervenção do Coro – Passagem Poética: Enfrentamento das Tropas + Dança das Facas; a cena A Enfermeira, o Cabo Baleado e o Comandante; uma nova situação com a Tia Maria / Majestade Encruzilhada, envolvendo o Fechamento de Corpo do Cabo Firmino e o encontro da Tia Maria com o Comandante Prestes. Outra sequência que arriscamos veio da cena do Motim das Tropas, ideia resgatada que já havia surgido nos ensaios, uma situação limite envolvendo todas as personagens, momento em que desistem de seguir marchando, negando a promoção militar que acabam de receber. Essa cena, que estava solta, se somou a cena da Encomendando o corpo do Sargento Garcia, personagem que é assassinado na cena anterior, Encruzilhada de Piancó, formando um grande arco de decadência da peça, o momento em que a Coluna Prestes chega no seu momento de crise maior. Com o Coro da Coluna, além de afinar as cenas que já estavam estruturadas, também levantamos uma cena nova, Guerrilheiras Vivandeiras, completando um conjunto potente de cenas, que já começam a ganhar horizontes de integração com o material final da peça. Os trabalhos do final da semana (e do feriado do 1º de maio), até a próxima semana de ensaio, envolvem essa reformulação final da dramaturgia, atrelada a concepção definitiva da encenação, que começa a tomar forma de propostas cenográficas, de figurino, de adereços, de trilhas sonoras, canções, músicas, movimentações. Estamos entrando no mês final de ensaios antes da estreia, momento em que toda a criação precisa aportar, desembocar naquilo que será levado ao público no dia da estreia. O trabalho está com muita emoção, muita coisa no ar, mas ninguém imaginou que seria tranquilo a empreitada que nos lançamos. Vamos com tudo até a estreia!  

Diário Teatral da Coluna – Semana 25 – 17/04/2023 a 23/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 25 – 17/04/2023 a 23/04/2023 Para além do processo criativo, mas com um impacto direto nele, estrear uma peça que cumprirá três meses de temporadas, de sexta a domingo, em grandes teatros municipais, exige um trabalho de produção fenomenal, imenso. É um universo de demandas específicas, que exemplificam bem a singularidade da rotina das trabalhadoras e trabalhadores do teatro. Uma dessas exigências são as fotos de divulgação, que rotineiramente precisam ser enviadas antes que a produção completa da peça esteja de fato desenvolvida. O que leva a um trabalho curioso, de ter de produzir fotos do espetáculo que ainda não existe, mas que apontem para o universo imagético do que será de fato a encenação. Nesta semana, tivemos de realizar essas fotos, articulando as e os artistas de fora da cena que participam do projeto, o cineasta Diogo Gomes dos Santos, a fotografa e comunicadora Dora Scobar e o cenografo e figurinista Kleber Montanheiro, além do intenso trabalho da produção, tudo para fazer acontecer essa empreitada. Que rendeu bons frutos! As primeiras divulgações do espetáculo “Coluna Prestes: encruzilhadas da marcha da esperança” virão dessas imagens. No restante dos ensaios da semana, terminamos de sedimentar as cenas para realizar, enfim, a passagem geral das cenas em sequência, articulando com ensaios no piano para afinar o canto do elenco, já que a peça conta com diversas canções.  Fizemos a seguinte passagem geral, no final da jornada de trabalho: ·         Cabaré Esperança ·         1ª Aula de Alfabetização ·         Chegada das tropas de São Paulo ·         A Enfermeira e o Comandante ·         No campo de batalha inimigo ·         A Criança e a Revolução ·         2º Encontro Ângelo e Garcia ·         Mate Laranjeira ·         A enfermeira, o Cabo Baleado e o Comandante ·         A encruzilhada de Piancó ·         Parto de Santa Rosa ·         A despedida de Ângelo e Firmino Os ensaios do Coro Cênico seguiram, articulando a ida de pessoas do elenco, o que possibilitou levantaremos as seguintes cenas por lá: ·         Coro da Revolução ·         Prestes e o Estado Maior da Revolução ·         Passagem Poética: Enfrentamento das Tropas + Dança das Facas ·         Passagem Poética: Horror da Guerra Muito material foi levantado, com momentos bonitos, que tocam nas questões da Coluna Prestes enquanto seguimos as trilhas dessas figuras menores da marcha, sua raia miúda, a base do movimento. No entanto, a passagem em sequência apontou as fragilidades gerais da encenação e da dramaturgia, com um excesso de fragmentação dos núcleos, que gera uma não relação de conjunto entre os diferentes quadros. Ao que tudo indica, estamos diante da crise final do material, da última jornada de trabalho para que, enfim, cheguemos na estrutura definitiva da encenação. Isso tão perto da estreia. Ninguém disse que seria fácil. Tem ainda muito trabalho pela frente. Avante, Coluna!

Diário Teatral da Coluna – Semana 24 – 10/04/2023 a 16/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 24 – 10/04/2023 a 16/04/2023 Os trabalhos seguem com muita intensidade, articulando todas as áreas de criação, definindo a encenação da peça junto da versão final da dramaturgia, nas turbulências do movimento final de trabalho do projeto. O planejamento é simples: amadurecer cenicamente as cenas que estão apontadas na estrutura da peça para organizar uma passagem geral do material. Investimos nas cenas que ainda careciam de trabalho, por um lado, e por outro erguemos algumas cenas novas. Trabalhamos os seguintes quadros:  ·       Mate Laranjeira ·      Cabaré Esperança ·     A Criança e a Revolução ·      1ª Aula de Alfabetização ·      2º Encontro Ângelo e Garcia ·      A Enfermeira e o Comandante ·      No campo de batalha inimigo ·      Firmino Baleado e Luiz ·      Parto de Santa Rosa ·      A despedida de Ângelo e Firmino Refletindo sobre o material até aqui, levando em consideração questões organizacionais de ensaio, as cenas se tornaram radicalmente nucleares, ou seja, núcleos de personagens definidos que tecem arcos dentro da trajetória geral da Coluna Prestes. O efeito de conjunto ainda é nebuloso, sendo completamente sincero. Com mais uma semana de ensaio conseguiremos passar toda a sequência, para enfim vislumbrar o que é a potência dessa estrutura (ou suas fragilidades). Outro aspecto organizacional que termina por incidir na encenação é a dinâmica com os ensaios do Coro da Coluna, que acontecem, nesse primeiro mês, em horários separados do elenco. O coro possuí cenas que acontecem com um ou dois personagens do núcleo do elenco, e o caminho será ensaiar separado, convocando alguns atores e atrizes em dias específicos, para que possamos dar conta de tudo. Nessa semana, contando com a criação da coreografa, começamos a desenhar as cenas do Coro, calcadas nas poéticas de travessia, coralidade, ancoradas em movimentações de danças populares, muitas com fortes características afro-diaspóricas, refletindo as diferentes culturas que a Coluna Prestes entrou em contato na sua longa marcha de 25.000 quilômetros. A junção do Coro da Coluna com o elenco será também uma grande aventura.    Seguimos!

Diário Teatral da Coluna – Semana 23 – 03/04/2023 a 09/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 23 – 03/04/2023 a 09/04/2023 Seguindo a toada frenética dos ensaios, mantivemos o ritmointenso de encenação atrelada a escrita das cenas, em diálogo criativoconstante com todas as pessoas envolvidas. As demais áreas criativas tambémestão trabalhando intensamente, já com o horizonte e o teatro da estreiaapontados: Teatro Arthur Azevedo, dia 02/06/2023, sexta-feira! Intensamente, toda a encenação vai surgindo e se encaixando.Cabe um destaque aqui para o desenvolvimento das canções da peça, que segue atodo vapor! Temos até aqui 7 canções já criadas, em níveis diferentes dedesenvolvimento: “Cabaré esperança”; “Pão da vida” “Guerrilheiras vivandeiras”;“De que lado você está?”; “Aí seu mé”; “Canto de revolução”; “Enterro de umsoldado” e “Prece triste”. Nessa toada, ensaiamos as seguintes cenas, partindo dedramaturgias já consolidadas (mas em franco processo de desenvolvimentocriativo, como todos os elementos da encenação): ·        Despedida Firmino e Ângelo ·        A Enfermeira e o Comandante ·        No campo de batalha inimigo ·        Prestes e a Revolução ·        Despedida de Prestes e Ângelo ·        Parto de Santa Rosa ·        1ª Aula de Alfabetização ·        2º Encontro Ângelo e Garcia ·        Mate Laranjeira ·        No campo de batalha inimigo O Coro Cênico começou seus encontros agora oficialmente comoCoro da Coluna, contando com a presença das 12 pessoas selecionadas paraintegrarem a encenação. Cantamos as músicas, ensaiamos a cena de coro “Prestese o Estado Maior da Revolução” e passamos todas as rotinas de travessia queestamos desenvolvendo, entradas de teatro-dança que poetizam momentos cruciais dasaga da Coluna Prestes. Para essa criação, contamos com a ajuda da coreografa emestra de danças populares, a Leca. Um presente essa presença em sala de ensaiopara afinar nossas intervenções poético-dançantes, nesse coro-travessia quecortará a peça entre as cenas dos núcleos. Todas as frentes de criação estão se encaixando edesenvolvendo, seguindo seu rumo até a estreia da peça. Vamos com tudo!

Diário Teatral da Coluna – Semana 22 – 27/03/2023 a 02/04/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 22 – 27/03/2023 a 02/04/2023 Partindo dos materiais levantados em sala de ensaio, tendocomo horizonte criativo as personagens encontradas para conduzir a jornada daColuna Prestes, a escrita da dramaturgia e o desenvolvimento da encenaçãocomeçaram a dar saltos imensos. O ritmo de cenas no papel aumentouvertiginosamente, numa relação recíproca entre escrita e encenação, com a peçabrotando, enfim. Daqui até a estreia, que precisa acontecer em dois meses e umasemana, o trabalho andará nessa toada frenética. Dessa forma, nessa semana, ensaiamos as seguintes cenas, jácom a primeira versão da dramaturgia no papel (sendo revisada e modificada deacordo com o que a sala de ensaio aponta): ·        1ª Aula de Alfabetização ·        Firmino baleado e o comandante Prestes ·        Cabaré Esperança ·        Julgamento do negro preso injustamente ·        No campo de batalha entre mortos e feridos ·        O Poema de Ângelo Essa também foi a semana em que finalizamos a Oficina deCoro Cênico, que foi um espaço intenso, pedagógico, lindo e feliz. A disposiçãodas pessoas que integraram o curso foi infinita, possibilitando um espaço detroca e descoberta de linguagem teatral em torno dessa função antiga do CoroCênico. Fizemos um encerramento muito bonito, distribuímos os certificados,compartilhamos relatos do que foram esses dois meses de experiência, nosemocionamos. Sou eternamente grato pelo que construímos nesse Curso Livre deCoro Cênico, de coração. São raros os momentos de generosidade e trocaartística intensa como o que conseguimos construir nesse espaço. Agora temosessa tarefa inglória de selecionar 12 pessoas para seguirem conosco naencenação da peça da “Coluna Prestes”, agora como Coro da Coluna, recebendo umabolsa-cachê pelos próximos 5 meses de trabalho. Foi uma das coisas maisdifíceis de serem feitas até aqui, essa escolha. Queríamos abarcar todas etodos que seguiram conosco até o fim da jornada do Curso, mas, por motivos decontingenciamento de verba, não foi possível. De qualquer forma, meu muitoobrigado por essa caminhada. De coração. Avante Coluna!  

Diário Teatral da Coluna – Semana 21 – 20/03/2023 a 26/03/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 21 – 20/03/2023 a 26/03/2023 Agora que a encenação parece ter achado, enfim, seu eixo, a criação de material tem acelerado bruscamente. As personagens eleitas para a jornada ganham consistência a cada dia de ensaio, camadas de complexidade e profundidade nas suas relações são desveladas, revelando as contradições e contextos enfrentados pela Coluna Prestes nas cenas. A coisa está toda turbulenta, porque temos de fazer tudo ao mesmo tempo: improvisar e debater as cenas, converte-las em dramaturgia, sonhar e erguer a encenação, tudo junto e urgente. Com dois meses e duas semanas para a estreia, os passos do trabalho se intensificam radicalmente. Seguindo a trilha das cenas que estruturam a peça, realizamos as seguintes jornadas criativas: ·         Sobre mapas e maxixes. Depois de um potreada, Onça discute com Garcia: ambos fizeram um mapa indicando os próximos passos da Coluna Prestes. Apesar do mapa da Onça ser evidentemente melhor, Garcia se recusa a aceitar, por conta do seu machismo. Prestes chega para mediar a situação e avaliar os mapas. Enquanto avalia, Ângelo e Garcia perguntam para Onça sobre seu passado como dançarina de maxixe. Onça ensina os dois a dançarem maxixe, um com o outro, intensificando a relação dos soldados. Prestes retorna, adotando o mapa de Onça como estratégia para os próximos passos. ·         No campo de batalha entre moribundos e feridos. Firmino recolhe armas e os nomes dos mortos, Enfermeira Hermínia cuida dos vivos, fazendo curativos e convocando os padioleiros. Enquanto fazem seu trabalho, Hermínia resolve socorrer um soldado inimigo, o que gera uma grande desavença com Firmino. ·         Julgamento do preso condenado injustamente. Em uma cena de expediente épico, três possibilidades de futuro são mostradas para o público, a partir da libertação de um preso negro pelos revolucionários da Coluna Prestes, condenado injustamente por um juiz bêbado. Cada um dos futuros expressa uma das faces do sistema carcerário do Brasil, de ontem e hoje, e as possibilidades de retorno ao convívio social dos egressos desse sistema massacrante. No último caminho, o recém-liberto junta-se a Marcha da Coluna. ·         Enfermeira Hermínia descansa depois de muito trabalho com os feridos. Recebe a visita do Comandante Prestes. O inquere sobre a falta de ferimentos do comandante. Prestes demonstra que é um líder que marcha junto de seus soldados, terminando por convencer Hermínia dos ideias da Coluna. ·         Em torno de uma fogueira, Prestes recebe o Sargento Garcia e Santa Rosa, que se tornou uma exímia combatente. Está maravilhado com a empresa Mate Laranjeira, que o acolheu na sua sede com pompa, declarando seu apoio a revolução. Garcia e Rosa, por sua vez, visitaram os pequenos ranchos arrendados onde moram as famílias que trabalham para Mate Laranjeira, em regime de servidão, açoitados por capatazes. O encontro transforma Prestes, que resolve requisitar uma quantia astronômica da empresa Mate Laranjeira. A cena joga epicamente com cada situação, com as personagens se transformando nas figuras, reproduzindo cada encontro. ·         A traição do Padre Aristides e o massacre de Piancó. Um padre-coronel faz uma proposta de armistício para os soldados da Coluna, que estão divididos se acreditam ou não. Firmino e Rosa estão desconfiados, não querem aceitar o acordo. Já Garcia, com apoio de Ângelo, acredita que devem seguir em frente, confiar, afinal, é um Padre. Essa posição ganha o debate, com Garcia indo a frente, portando uma bandeira branca. Era uma emboscada, Garcia termina baleado. Isso dispara um sentimento de revolta e ódio nos integrantes da Coluna Prestes, que avançam para Piancó, cometendo toda sorte de barbaridades. Vemos a esperança fraquejar diante do horror. Por fim, Garcia morre nos braços de Ângelo, no único beijo que os dois amantes nunca admitidos conseguem partilhar. ·         A primeira aula de alfabetização de Ângelo, ministrada pelo Sargento Garcia. Ângelo não quer saber de ler e escrever, quer saber de aprender a atirar. Termina convencido pela poesia, no momento em que Garcia lê um trecho de Romeu e Julieta para seu rebelde aprendiz. Uma relação surge entre os dois, junto do desejo de alfabetização que começa a surgir em Ângelo. ·         O parto de Santa Rosa. Em meio a uma situação de combate, Rosa entra em processo de parto, assistida pela Enfermeira Hermínia, enquanto Firmino faz a guarda da situação. A situação dramática é rompida por um momento épico de narrativa, em que as personagens, diante da esperança de uma vida que surge, narram seus sonhos e vislumbres de futuro. ·         Despedida de Hermínia e Rosa, depois de toda a marcha da Coluna. Rosa está disposta a seguir sonhando e construindo a revolução, vislumbra um caminho de lutas para seu filho; já Hermínia encontrou enfim a paz, vai ficar por lá mesmo, conseguiu um ranchinho para viver com Firmino. O destino de cada uma está selado. Firmino ainda aparece no fim, para presentear o filho de Rosa com seu fuzil, que nunca errou um tiro. Ele espera que o menino nunca precise utilizar. ·         Retomada da cena do motim dos soldados.   Na oficina de Coro Cênico, que está entrando em sua reta final, de onde sairão as 12 pessoas escolhidas para compor o Coro da Coluna na encenação, seguimos explorando as entradas desse universo na peça. Retomamos a cena da Travessia do Rio, utilizando uma rede como suporte para o teatro-dança; refinamos o Coro Portando Imagem do Horror da Guerra, incluindo uma paisagem sonora na movimentação; experimentamos uma nova dramaturgia para uma cena do Coro, em que Luiz Carlos Prestes decide seguir com a jornada da Coluna, rachando o Estado Maior da Revolução entre desistentes e convictos com a luta. A encenação começa a ganhar seu desenho, com uma listagem geral das cenas e entradas do coro organizadas em 4 movimentos: Chegança; Glória; Crise; Despedida. O espaço cênico, feito de elementos cinéticos, é uma representação poética do Brasil Profundo, cortado pelo acampamento da Marcha da Esperança. Os figurinos e adereços ganham primeiro plano, constituindo os lugares e situações com a intensidade das presenças numerosas das 26 pessoas em cena. Toda essa criação

Diário Teatral da Coluna – Semana 20 – 13/03/2023 a 19/03/2023

Com a trilha de encenação e dramaturgia apontada, seguimos a todo vapor, em um ritmo intenso para erguer a peça, agora com a bússola afinada. A encenação será organizada por duas frentes poéticas complementares: a relação entre as personagens e seus processos de transformação ao longo da marcha da Coluna Prestes; o Coro da Coluna e seus expedientes poéticos de teatro-dança e cenas de coro em contexto. Assim, de um lado, acompanharemos as personagens encontradas para conduzir essa narrativa, as trilhas da raia miúda da Coluna Prestes, das sujeitas e sujeitos que fizeram essa história mas, apesar disso, foram relegados a notas de rodapé e descrições breves nos documentos históricos. Cenas apoiadas em um realismo crítico, com interações em situação entre as personagens, com momentos de comentários épicos que ampliam os contextos dos encontros, explorando as relações sociais e vislumbres entre passado e futuro, tendo como motor dos encontros o desenvolvimento da Coluna Prestes em marcha. Do outro lado, teremos as entradas do Coro da Coluna, com cenas apoiadas em expedientes poéticos de teatro-dança e grandes coros em situação, que imprimem em contexto os momentos marcantes da grande marcha da Coluna Prestes, incorporando elementos das danças populares, com ritmos apanhados dos lugares por onde a marcha da esperança passou em sua gigantesca jornada. Sobre o eixo das personagens populares que conduziram a narrativa, exploramos as seguintes cenas, que serão incorporadas na peça: ·      Isabel Pisca-Pisca se maquia para mais uma apresentação no Cabaré Esperança, quando Onça, sua amiga e sócia do empreendimento, avisa: não tem cliente, a revolução agitou as coisas, não sobrou ninguém na cidade. As duas então resolver partir com a Coluna Prestes, em busca de um outro futuro. ·      Em uma vigia na trincheira, o Soldado Ângelo expressa seu desgaste com a marcha, seu medo constante da morte, com o Sargento Garcia, que é também seu professor de alfabetização. Garcia acolhe Ângelo, convencendo a permanecer na luta e a insistir no aprendizado das letras. Uma relação começa a surgir entre os dois. ·       Cabo Firmino, um aguerrido revolucionário, está convalescente, baleado. O Comandante Luiz Carlos Prestes se aproxima, quer conhecer melhor o soldado e descobrir se terá condições de seguir na marcha. Nesse encontro, os dois sonham com o futuro, rasgando os tempos históricos. ·      Tia Maria ensina a Enfermeira Hermínia a fazer um angu decente, enquanto anuncia sua partida da Coluna Prestes, se despede da marcha da esperança. Durante sua despedida, anuncia o amor de Hermínia pelo Cabo Firmino, vaticinando o futuro. ·     Depois de três dias de marcha, sem comer e sem dormir, o Cabo Firmino e o Soldado Ângelo se amotinam, não querem continuar, não tem como, para desespero do Sargento Garcia. A insubordinação faz tensionar a esperança. Garcia e Prestes recuperam a perspectiva dos sonhos nas tropas, seguindo com a marcha. ·     Santa Rosa está diante das roupas do seu falecido marido, de quem herdou o fuzil e gera um filho na barriga. Isabel Pisca-Pisca e Onça se aproximam da amiga, que está passando mal de novo por conta da gravidez. Debatem a possibilidade de aborto, com posições distintas. Rosa resolve manter a criança, apesar de todas as dificuldades impostas pela marcha revolucionária. Na Oficina de Coro Cênico, seguimos a investigação dos expedientes poéticos relacionados a marcha da Coluna Prestes. Exploramos as cenas da Travessia do Rio, das Potreadas e expedientes de Portar Imagem, incidindo sobre os disparadores Combate, Esperança e Horror da Guerra. Também nessa semana, o Coro da Coluna somou esforços com as companheiras e companheiros do MTST, que estavam acampados em frente a prefeitura com uma reivindicação de moradia. Cantamos as canções da peça no acampamento, em um momento de solidariedade e luta. O Coro da Coluna faz assim jus ao espírito da Coluna Prestes, levando com seu canto e presença um sonho de esperança e revolução. 

Diário Teatral da Coluna – Semana 19 – 06/03/2023 a 12/03/2023

Diário Teatral da Coluna – Semana 19 – 06/03/2023 a 12/03/2023 O caminho para a encenação da Coluna Prestes, enfim, parece despontar no horizonte criativo. A proposta de narrar essa história a contrapelo sedimentou-se em 8 personagens que acompanharemos na jornada da Marcha da Esperança. São sujeitas e sujeitos inspirados nas “figuras menores” da história hegemônica da Coluna Prestes, as vidas dos soldados de baixa patente, das mulheres chamadas de vivandeiras, dos pretos que recheavam as tropas, mas não estavam em nenhuma das posições de comando. Essas existências aparecem nos documentos históricos, mas sempre em breves lampejos, descrições sucintas, parágrafos, as vezes duas linhas, um nome – pequenas frestas que iluminam, mesmo que muito brevemente, o que eram essas figuras sociais, deixando uma trilha aberta para a criação poética que o teatro permite. Então a aposta é mesmo a radicalização nos núcleos dessas personagens. Contar a história de fato a contrapelo, partindo desse ponto de vista das existências quebradiças, apagadas, subalternizadas nos documentos históricos. É uma questão crucial de qualquer dramaturgia, especialmente na lida de um material histórico para criação teatral, a eleição do ponto de vista em que os acontecimentos se passam. Especialmente quando falamos das encruzilhadas da esperança ao longo de uma marcha revolucionária: de quem é a esperança? Estamos interessados na Tia Maria, uma preta velha que comanda um dos fogões da Coluna, que fazia benzimentos, rituais, garantindo a prática de uma religiosidade de matriz africana durante a Marcha. Na Onça, outra mulher negra, que dançava maxixe, com sua amiga, Isabel Pisca Pisca, que atravessam o Brasil até o exílio na Bolívia como integrantes da Coluna. Do Cabo Firmino, homem negro, vindo da Força Pública, que se apaixona pela Enfermeira Hermínia, imigrante austríaca que cuida dos feridos ao longo de toda a marcha. Do Sargento Garcia e do Soldado Ângelo, que acompanham Prestes desde o Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo, alfabetizados dentro das tropas na perspectiva do soldado cidadão, que carregam a bandeira do letramento, que te ensina a ler e transformar a palavra mundo. Luiz Carlos Prestes completa o grupo de personagens, mas não como protagonista da peça. A relação é invertida: é Luiz Carlos Prestes que aprende com cada uma dessas figuras, tornando-se o proto-comunista que vai se tornar no final dessa jornada a partir das vivências, situações e processos com cada uma das 8 figuras populares disparam nele. São as relações entre essas personagens, seus processos de transformação, que acompanharemos ao longo da marcha da Coluna. No entanto, o que pretendíamos enquanto proposta de texto teatral, esse investimento radical nessas figuras populares, colhidas no contrapelo das narrativas históricas da Coluna Prestes, não se realizou de maneira concreta na dramaturgia. Investimos muito trabalho escrevendo um texto teatral que não atendeu as expectativas que tínhamos, enquanto coletivo, com a encenação que estamos desenvolvendo. O peso do caráter histórico, literário, ainda se sobrepôs ao desenvolvimento das figuras que elegemos como portadores dessa narrativa. Não conseguimos abandonar, na encenação e na dramaturgia, um compromisso, que não pertence ao teatro definitivamente, de portar “a verdade” histórica no palco, nem o compromisso de dar uma aula de história sobre o que foi a Coluna Prestes. Também demonstrou que é possível mergulhar e retomar de maneira mais vertical o que já foi desenvolvido enquanto matéria teatral no cotidiano dos ensaios, usar de fato elementos, processos, situações, diálogos, que aconteceram no cotidiano trabalho de pesquisa do elenco. Um baque para o time de dramaturgia, com dezenas de páginas escritas que não contemplaram a caminhada do grupo. Muito trabalho que não será utilizado, como muitos dos materiais criativos que surgem no processo. Entramos com isso em um processo de crise criativa, mais uma, o que não significa uma coisa necessariamente ruim, embora tenha momentos dolorosos e difíceis. As crises são o que movem o processo artístico, revelam os limites e fazem surgir os caminhos para o desenvolvimento do trabalho. Ainda mais em processos de pesquisa teatral, em que a sedimentação do material criativo passa por caminhos tortuosos, que não cabem no planejamento rígido de uma tabela, necessariamente, porque envolvidos com criação, arte, poesia, sonho. Apesar dos prazos, os processos criativos têm suas alquimias particulares, suas decantações específicas, e se agora, com menos de 3 meses para a estreia, tivemos essa mudança de eixo radical no trabalho, o que fazer? Embarcar no processo, confiar no teatro e no trabalho das e dos artistas envolvidos, e erguer a encenação, realizando de maneira radical os caminhos apontados depois da tempestade da crise. Ainda nessa semana começamos essa nova trilha, com um mergulho intenso das personagens escolhidas para cada pessoa do elenco, enfim eleitas com decisão depois de trafegar por diferentes personagens históricas. Fizemos essa dinâmica que partiu de um texto-gênese e um atlas visual de cada uma das personagens eleitas, realizado por cada ator/atriz que vai interpretá-la, dando uma excelente amostra de como os temas da Coluna Prestes aparecem em cada um desses pontos de vista, sempre com um recorte consequente sobre os temas que nos interessam nisso tudo, os processos sociais pertinentes de serem ao longo da peça. Um adendo: caminhando ao lado da sala de ensaio, as oficinas de Coro Cênico seguem a todo vapor, sem nenhuma sombra de crise, com uma gente interessada, presente e disposta, tornando possível um laboratório excepcional sobre o que é a linguagem do coro, além de um espaço de experimentação de expedientes do universo da Coluna Prestes convertidos em linguagem teatral. Seguimos com nossa marcha da esperança, com coragem e disposição, na trilha que enfim parece despontar. A encenação da peça da Coluna Prestes parece agora possível, a escrita da dramaturgia parece ter encontrado seu farol, com a pavimentação de escolhas consequentes, que resgatam o contrapelo histórico e as encruzilhadas desse processo, partindo de um campo teatralmente potente.   Avante! Temos muito a fazer.

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